O Limiar

O Limiar foi o evento pivotal do mundo, onde os paranormais começaram a aparecer. Tudo mudou deste então. Com paragons há limiares individuais e o Limiar (com “L” maiúsculo), a ocasião onde o fenômeno de paranormais se tornou espalhado e conhecido.

Em 4 de Janeiro de 2015, vários relatos sobre pessoas com “poderes fora do normal” começaram a correr pelo mundo. Primeiro na Europa, depois na Ásia, e finalmente na América, África e Oceania. Os incidentes cresceram em número e intensidade nos meses seguintes.

Em 8 de Novembro de 2015, quase um ano após os incidentes envolvendo pessoas com habilidades sobrenaturais ocorrerem, um paranormal não-identificado apareceu nos arredores de Evaston, Wyoming nos Estados Unidos da América e, sem querer, mudou o curso da história. Viajantes para a costa leste pela Interestadual 80 até Evaston vindos de Utah notaram uma estranha figura parada no meio da rodovia, indo para Evanston vindo de um local desconhecido. Descrito pelas testemunhas como “selvagem e possivelmente alcoolizado”, a estranha figura não parecia se importar com o perigo que ele passava no tráfego do fim da noite, despertando a atenção da patrulha rodoviária. Não foi até as autoridades locais tentarem deter o indivíduo para sua própria proteção que a situação ficou perigosa. Confuso e frustrado, o paranormal se lançou contra os oficiais, matando-os instantaneamente. Com a escalada da situação, o paranormal assustado tentou escapar apenas para ser confrontado novamente pela polícia de Evanston, resultando num confronto que destruiu vários quarteirões de propriedade comercial. Em questão de horas, as unidades da Guarda Nacional chegaram em Evanston tentando conter a situação. Incapazes de causar o menor ferimento no super-humano agora furioso que os confrontava, a situação saiu do controle. O conflito causou danos em propriedades de milhões de dólares e custou as vidas de centenas de pessoas. Apesar do paranormal ter escapado e nunca ter sido realmente identificado, a devastação foi chocante… particularmente para os milhões de telespectadores que viram os eventos se desdobrarem ao vivo nos canais de notícias, feeds de Internet e vídeos em redes sociais ao redor do mundo.

O “Incidente de Evanston” incitou pânico ao redor do globo. Eventos paranormais tinham sido descartados como "trotes" pela mídia especializada antes, mas esta foi a primeira vez que paranormais tinham se tornado extremamente claros para as massas. Enquanto oficiais do governo em cada grande país estava ciente por algum tempo de possíveis atividades paranormais e terrorismo era uma ameaça real e muito perigosa para segurança nacional e internacional, o Incidente de Evanston moveu estas preocupações do reino do impossível para o real. Pior de tudo, tais perigos foram realizados em completa visão do público. Temente de que monstros paranormais morassem em cada esquina, prontos para explodir sobre os cidadãos insuspeitos a qualquer momento, a população mundial exigiu uma resposta de sua liderança. Dentro de dias depois do evento de Evanston, demonstrações anti-paranomais foram organizadas em metrópoles ao redor do mundo, muitas das quais se transformaram em revoltas. Em vários países, gangues de “caçadores de bruxas” de estilo próprio atacaram e, em muitas circunstâncias, executaram em público suspeitos paranormais num esforço de reclamar o mundo para homens “normais”. O caos cresce e ameaça consumir a segurança e a paz internacional.

Para analisar e conter ameaças paranormais desta magnitude, o governo dos EUA acelerou os planos de concluir a sua agência especializada neste tipo de crime, a PRAAgência Reguladora Paranormal. As Nações Unidas, logo em seguida, criariam a PAX – Ação Executiva Paranormal – para analisar eventos paranormais e coordenar as agências internacionais responsáveis nestes assuntos.

O pânico público foi avassalador: muitos países não conseguiam controlar a população, que agora temia esses seres paranormais, ou “paragons”, como a mídia os chamou. Internet e televisão passavam 24h as novidades do mundo. Esporádicas explosões de violência ocorriam e revoltas eram comuns, com pessoas reagindo com medo e histeria. Algumas áreas foram forçadas a impor lei marcial para lidar com revoltas civis, explosões paranormais, ou ambos. A maioria da população tentava ficar calma, observar as notícias, e confiar nas autoridades para manter a situação sobre controle e mantê-los seguros.

Muitos paragons com ideais de dever cívico tomaram o assunto nas próprias mãos e ajudaram como podiam. Os benefícios das ações deles se extenderam além do esperado, já que o público viu que os paranormais não seriam apenas monstros e aberrações, mas também heróis, e conexões logo foram feitas com superheróis dos quadrinhos, assim como figuras míticas e religiosas.

Eventualmente, em 2016, as coisas foram se acalmando. O número de limiares começou a reduzir enquanto os paragons existentes começaram a se acostumar com suas habilidades. O público começou a melhor se informar sobre fenômenos paranormais e as grandes teorias sobre eles, apesar de tudo ainda estar com um ar de incerteza. Alguns paragons se tornaram famosos ou infames, e eles começaram a se unir em grupos e facções baseadas em seus interesses e objetivos. Apesar de alguns paranormais utilizarem completamente de suas habilidades, outros ainda estão incertos, e buscam as autoridades existentes para guiá-los.

O mundo começa tentando se adaptar a uma existência de paranormais quando se torna claro que eles não estão indo embora, e qualquer causa inicial do limiar aparentemente ainda está acontecendo, apesar de estar mais lento e estável que antes. Os paragons estão começando a aceitar a ideia de viver num mundo pós-Limiar, um mundo paranormal.

O Limiar

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